4 de abril de 2009

Inocência

Nunca me deixou saber muito de sua vida, mas sempre soube toda a minha. Isso não é um fato do qual eu possa me arrepender, pois quanto mais eu falava melhor me sentia. Sempre achei estranho, o fato de não dizer nada sobre si, pensei que fosse seu jeito, meio fechado, não ligava. O que realmente me importava era tê-la ali, sempre que precisasse. Qualquer conflito surgido, a primeira pessoa que me surgia em mente, sempre.
Nunca demonstrou grande afeto, nunca falava nada, achava eu que ao menos sentia. Uma raríssima vez, palavras tão curtas, porém muito significativas, e com certeza jamais esquecidas.
Ao decorrer dos dias, o tempo foi encurtando, junto com o contato. Conversas passaram a se tornar raridades, até começarem a desaparecer.
Muito tempo depois, resolveu dar um sinal de vida, sem perguntar como eu estava, foi direto a um assunto de grande importância, para ambas. Fiquei feliz, obviamente. Não se tem inveja dos amigos, mas sem a menor sombra de dúvidas, tratava-se de algo que eu teria um grande prazer de vivenciar, e disto não restavam-se dúvidas, a ninguém. Após o término, da muito rápida notícia, foi logo se despedindo.
Um amigo informa o outro, de um acontecimento bom, mesmo que seja na pressa, pois sabe que este ficará muito contente em saber. O problema, é que ela não parecia estar com pressa. Só parecia ter cumprido sua missão.

Um comentário:

Ana Lúcia disse...

poxa, fiquei triste ao ler isso, nunca soube como era a relação de vocês... Essa coisa de internet, quando uma pessoa quer, pode formar um burado entre os amigos que só se conhecem por ela. a pessoa some e você não tem mais nem como se comunicar. Só espero que saiba uma coisa, comigo nunca será assim ok? afinal nós temos a química inevitável das grandes amizades.